sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Perdida de Thay - 4 de Hammer de 1367CV


Meses e meses de estudos que não me levavam à nada: Essa era a maior frustração que consumia meus dias, e não havia razão para que hoje fosse diferente. Tudo o que eu tinha era a tecelagem que construí; com, a maior parte, o suor de meu mestre. Não tenho o menor orgulho disso, mas ao menos sei que meus esforços para manter minha sobrevivência em terras estrangeiras não foram vãos. Todavia, sobreviver não é suficiente: Não para mim. Isso tudo é temporário, e hei de sair dessas terras e reconstruir minha estima entre os meus em breve. Estranhamente, esse questionamento que me atormentava todos os dias desencadeou uma inesperada reação nesta tarde. Um estranho mercantilista, depois de marcar horário com um de meus funcionários, ofereceu-me a indecente proposta de comprar minhas técnicas e minha tecelagem em troca de um punhado de dinheiro para sobreviver por longos anos naquelas terras. Pobre homem, que viera de tão longe para perder seu tempo por não saber o que há por trás de minhas criações... Recusei de imediato. Todavia, o homem - que parecia uma caricatura grotesca da burguesia -, recusou-se a aceitar minha negativa, e se ofereceu para voltar na semana seguinte. 

Sua feição arrogante, sua postura intimidante mesclados ao péssimo senso de nobreza, além da ridícula e suspeita gana por dinheiro deram-me certeza de que havia algo perigoso. Realmente não queria que sua desagradável presença retornasse à minha tecelagem, mas não tive outra escolha. Após sua ida, passei o decorrer do dia pensando sobre sua proposta e por que outros motivos iria querer meu simples comércio.

Mais tarde, o sacerdote Heisenberg viria me entregar pessoalmente alguns livros que havia encomendado. Devolvi o livro que pegara emprestado da biblioteca, ainda tensa com a visita da tarde; se fosse descoberta, era muito provável que a volta à minha terra natal não fosse tão triunfante como planejei por todos esses meses. Em um gesto de desespero, pedi ajuda ao clérigo para que me iluminasse os pensamentos e pudesse, finalmente, chegar a uma pista diferente. Todavia, o mesmo se prontificou a ajudar no dia seguinte, como esperado. O clérigo partiu e eu voltei aos meus estudos e teorias. 

Algumas horas se passaram. Enquanto lia, ouvi batidas vigorosas ressonarem de minha porta. Levantei-me, desconfiada da brutalidade; e quando destranquei a porta, deparei-me com um homem alto e corpulento, ameaçador. Instintivamente tranquei a porta de volta, pensando no que deveria fazer, e ouvi um pedido de socorro: Algo realmente era inesperado de um homem com tal fisionomia. Retruquei, esperando uma resposta plausível, e descobri que o homem estava adoentado, e que haviam mais pessoas com ele. Temerosa que suas doenças pudessem macular minha saúde, levei os estrangeiros imediatamente aos clérigos, para que buscassem sua cura. Ao voltar, todavia, encontrei acesa uma luz que tinha certeza que apagara; e minha porta, que também me recordava de trancá-la, estava destrancada. Após entrar na casa, alerta, ouvi leves barulhos que vinham de meu quarto. Aquilo foi o suficiente para me irritar como há muito tempo não o fazia. Se fosse um ladrão comum ou qualquer criatura inferior, seria suficiente apenas amedrontá-lo questionando sua estadia, julguei; e encantei o quarto com uma voz fantasmagórica, que anunciava meu conhecimento sobre sua presença.

Após alguns segundos de silêncio, pedi para que Poe fosse investigar os arredores da casa; e o corvo me alardeou sobre uma presença incomum que fugia pela janela de meu quarto. Corri para alcançá-lo, mas o indivíduo já estava relativamente longe, correndo vigorosamente. Decidida em não deixá-lo escapar, obriguei o estranho a cair em um leve e repentino sono. Aproximei-me e arranquei suas roupas para verificar se havia algo meu com o rapaz, mas não achei nada de valor material até observar uma marca muito familiar que fez meu sangue gelar. Era exatamente como eu suspeitava: Estavam atrás de mim. Ao perceber que meu encanto se desfez, tentei encantá-lo outra vez, mas estava muito aturdida e não consegui. O estranho me olhou desentendido, e decidi mantê-lo confuso, perguntando-o sobre seu bem estar. Não muito depois, perguntei-lhe diretamente sobre Thay. Suas feições mudaram e o alarde deu voz à fúria; seu impulso o fez me empurrar e agarrar meu pescoço violentamente. Esperei, não muito certa do que fazer: Perdê-lo não parecia uma boa opção. O rapaz me soltou depois de alguns segundos, apanhou algumas de suas roupas e saiu correndo. Solicitei a Poe que o seguisse, enquanto levaria suas roupas como provas de que havia um ladrão pela cidade, e que o mesmo tentara invadir minha casa. Onde ele estivesse, iria descobrí-lo.

Fui até os clérigos da proteção para pedir ajuda, e contei o que acontecera - de uma forma um pouco mais romântica que a original -, e um deles me acompanhou até em casa. Não muito depois, uma segunda ocorrência viera em forma de boatos: Um homem fora expulso de uma hospedaria e agora arrumava confusão desnecessária. Imaginei que poderia ser o estranho ladrão.

O guarda se foi e eu voltei ao meu lar, curiosa sobre o quão interessante seria a manhã seguinte.

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